terça-feira, 14 de setembro de 2021

Organização Popular garante Segurança Sanitária e Alimentar em Belo Horizonte





Por Thiago Canettieri e 
Gelson Alexandrino da Silva

Diante da pandemia, a condição de vida do povo piorou. Os primeiros meses foram marcados pelo medo do vírus, do desemprego e da falta de renda – afinal, boa parte dos rendimentos das famílias periféricas vem de atividades informais. 

Nesse sentido, é importante que se estimule a cooperação comunitária – pois essa é uma base do fortalecimento do poder popular. 

Essa foi a intenção dos movimentos: Brigadas Populares e Movimento das Comunidades Populares – MCP ao construir o projeto Saúde Econômica e Economia Saudável nas Ocupações e Periferias da Região Metropolitana de Belo Horizonte. 

O projeto se desenvolveu em sete territórios populares. Ele priorizou o fomento à produção de máscaras por costureiras locais, o apoio às famílias agricultoras, que já produziam agroecologicamente, para ampliar seus cultivos, o subsídio à distribuição gratuita das máscaras e dos gêneros alimentícios para as comunidades e a criação e fortalecimento de redes de compra, venda e distribuição desses itens para outras partes da cidade. A ação teve início em junho e contou com o financiamento da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

É preciso destacar que essa iniciativa tinha um limite claro: trata-se de uma abordagem assistencialista. Mas, considerando a urgência, percebemos que poderíamos utilizá-la como motivação para a mobilização comunitária permanente. 

A partir do projeto, criamos grupos de agricultores e costureiras populares para a realização de tarefas pontuais: plantio, colheita e distribuição de alimentos agroecológicos e costura de máscaras de proteção individual.

Após o fim do projeto, foi importante manter a unidade com o povo e fortalecer as iniciativas criadas – agora de modo autônomo. Elas envolvem o plantio de uma “roça” comunitária no bairro Zilah, e a produção agroecológica nas ocupações Tomás Balduíno, em Ribeirão das Neves, e Vitória, em Belo Horizonte. 

Surgiram também iniciativas de bancos comunitários, grupos de consórcio e a construção de um caixa de saúde comunitária, que se mostra importante nesse momento de emergência sanitária causada pela pandemia.

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